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10 de jun de 2015

UM PAÍS DE NÚMEROS FALSOS É UM PAÍS
QUE NÃO MERECE A SUA CONFIANÇA

O Brasil descoberto pelos redemocratizadores de 1985, quando morreu Tancredo e Sarney subiu a rampa, é um paraíso de índices alarmantes e apaziguantes. Na mesma in/justa medida. O brasileiro é engambelado por números oficiais, levantados por pesquisas sob encomenda que saem piores que o soneto. E o povo se alarma. Pelas mesmas fontes, logo em seguida entra em estado de paz, fica zen e se acha feliz.

Pesquisa eleitoral, então, é o que não falta para mexer com suas emoções num país como esse que vive de eleições a cada dois anos. E as margens de lucro acabam sempre superando as de erro que são comidas pelas beiradas, quando na boca de urna tudo aparece em pratos limpos.

Aqui no Brasil da Silva, as pesquisas de saúde erram sempre por muito pouco. Não se sabe se já morreram 30 ou 40 por causa da dengue, ou se 2 milhões já foram vitimas da atração fatal de uma picadura.

Os dados da violência urbana também são muito precisos: os arrastões de São Paulo causam mais mortes que os tiroteios no Rio entre os traficantes e a polícia de pacificação armada até os dentes. Ou vice-versa. Dá no mesmo.

Bom é saber que nada menos de 116 pessoas são assassinadas por dia no Brasil. Estou falando de pessoas. Nenhum político, portanto, tem morrido de morte violenta. Lá de vez em quando é que um deles morre de morte morrida. E quem foi que disse que são só 116 mesmo? Pode ser que sejam 230, ou apenas 115...

Mas, o que mais representa a esperteza dos governos que padecemos são os índices da inflação. Faz anos, todos os anos depois da tucanagem governamental de FHC que a inflação estagnou nesse país cooperativado pelo PT e suas siglas sócias e companheiras, e não passa de ínfimos 5, 6 e até absurdos, incríveis e extraordinários 7 ou 8% ao ano.

Cruzes! Chegamos à inacreditável perspectiva de 8% de inflação anual nesse oceano de equilíbrio financeiro e social. Ó céus, ó vida! O que será de nós?

Pois estão aí as pesquisas científica infalíveis dizendo que estamos à beira dos 8 ou 9% de inflação neste ano. Bem do jeitinho como agora o governo visível de Dilma e o invisível de Lula, com a sua sinceridade habitual, estão confessando para todos nós, crédulos babacas, massa de manobra de quem manda e desmanda nessa terra de ninguém. Terra de ninguém, menos da outra espécie de habitantes que convivem aqui com as pessoas: os políticos.

A velha e boa Terra de Vera Cruz é deles. Só deles. Para eles a inflação é de 7 ou 8 podendo chegar a 9%  e não passa disso mesmo.

Para mim, para você, para nós outros seres animados que vamos ao supermercado e ao armazém da esquina, os dados não estão viciados, mas não jogam a nosso favor.

Do mês passado pra cá, a dúzia de ovos, subiu 11%; o desodorante, mais de 28%; um reles refrigerador, daqueles básicos, subiu do mês passado pra cá, mais de 20%; o sabão em pó, aquele que lava mais branco que a alma do povo, subiu 47%.... Ah, o tomate, a cebola, o arroz, a batata... Ah!

Se você tem faxineira, a diária chega a dar inveja a sua aposentadoria; se vai ao dentista, a sua terceira dentição é de cair o queixo; se passou por um Raio-X é capaz de ser fulminado; se contratar um pedreiro, um pintor de paredes, você não vai acreditar, mas tudo isso está pelo dobro do que custavam os mesmos serviços antes do último Natal extraordinário.

Se você é metido a besta e resolve trocar de carro, o seu usado 1.0 por um igualzinho, tão popular quanto o que ainda está a seu serviço, vai pagar, afora a desvalorização pelo uso, mais 19% de abuso do que o zerinho custava no último Sábado de Aleluia.

E então é isso e até mais que isso. O governo fabrica números e a gente acredita.

Quero ver agora é você passar as suas férias de julho na Disney World, como estava planejando. Não é que os planos de viagem tenham subido, não...  O seu dinheiro, o seu Real é que está tomando uma goleada de 3 x 1, louquinho, louquinho pra sofrer um previsível 4 x 1.

Não é que você se deixe enganar, porque seja bonzinho; você é enganado porque é injusto consigo mesmo e para com aqueles a quem você ama e que você sabe que o amam também. Você trata quem não lhe quer bem, da mesma forma que trata aos que tanto bem te querem.

E então a esta altura, uma vez mais, eu tiro Kung Fu Tsé do seu infinito descanso só para inquietar você. É ele, o popular Confúcio quem lhe pergunta:

- Se pagares o mal com o bem, com o que pagarás o bem?
E ele mesmo responde, para que você não perca mais tempo na vida:
- Paga o bem com o bem e o mal... com a justiça.

Desenho do mapa: pare de pagar com o bem a quem te faz mal. Porque é uma injustiça que você comete contra quem só te faz bem, contra quem não te engana, contra quem é honesto com você, ao dispensar o mesmo tratamento, a mesma atenção, a mesma fé a quem mente, engana e é desonesto com você. Paga-lhes com a justiça. Com o que a sua alma boa e benfazeja entenda por justiça.